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All around me / Cabelos

Autoconfiança depois dos 30 ou… como largar o cabelão.

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Tive vontade de escrever este post há algum tempo quando cortei os cabelos e depois de e recebi uma enxurrada de perguntas a respeito. Mas os meses passaram, cortei meus cabelos ainda mais curtinhos e as perguntas das leitoras e amigos, voltaram a tona.

Mas Cinthia, você vai escrever um post sobre cortar os cabelos curtos, que é uma coisa tão banal e que milhares de mulheres fazem todos os dia ? Calma, se você está pensando isso é porque faz parte da minoria que é desapegada e merece uma estrelinha. 

É engraçado demais como muitas mulheres, principalmente as brasileiras, usam os cabelo mais longos como um dos maiores símbolos da feminilidade e poder. Síndrome de Sansão total, fazem parecer que uma simples tesourada pode acabar com suas forças e seu reinado.

Uma das coisas que mais ouvi neste tempo todo foi:  “E aí, o que seu marido achou ?” ou “Ainda bem que você já é casada né ?” Como se ter cabelos curtos fosse algo altamente criticado pelo sexo masculino e necessitasse de aprovação social.

Mas se tem uma coisa que aprendi na vida, principalmente relacionado a beleza, é que tudo tem seu tempo, sua fase e vou contar um pouco sobre a minha experiência sobre isso tudo.

Sempre fui uma pessoa de mudanças rápidas e se um dia acordo com vontade de mudar, vou lá e mudo. Foi assim quando resolvi colocar piercing (já tirei), quando resolvi fazer minha primeira tatuagem, quando resolvi dar um basta no meu ex, quando resolvi dar um tempo na vida e mudar de cidade, quando decidi ficar totalmente loira e claro…quando resolvi cortar 40 cm de cabelo. Umas coisas mais complicadas, outras mais estúpidas, mas sempre assim…paro, penso, vou lá e faço. Adoro mudar.

Lembro que por volta dos 15, quando eu tinha cabelo na cintura, acordei e disse: vou cortar os cabelos. Cortei chanel (única vez que tive cabelo curto antes da fase atual) e gostei bastante. Mas amigos e conhecidos me criticaram tanto que eu rezava todos os dias para meu cabelo crescer de novo. Acho que na época passei uns 2 anos sem ver tesoura e quando ia cortar, ficava maluca se tirassem mais de 2 dedinhos.

Mas se na adolescência ou no início da idade adulta a preocupação com a opinião dos outros era tão importante, a idade vai chegando e você vai mudando. Eu era destas que sempre achava que todas as mulheres do mundo eram melhores que eu, como se beleza tornasse alguém melhor do que o outro. Sempre fui perfeccionista e crítica a ponto de ouvir maquiadores elogiando minha pele e ter certeza que estavam sendo sarcásticos. E felizmente isso foi mudando e a cada ano que passa fico mais desencanada.

“Nossa como você está magra”…”Puxa, acho que você engordou”…”Credo, você come demais”…”Ai, preferia você loira”…”Teu cabelo era tão lindo”… blah, blah, blah! O que cada vez mais importa para mim, é estar feliz do que jeito que eu gosto.

De uns 2 anos para cá minha relação com o espelho mudou absurdamente e por mais que eu sinta a pele não tão mais firme, me desespere um pouco com as primeiras linhas faciais, poros mais abertos e meu maldito vitiligo aumentando, eu não ligo nem 30% do que ligava antes. Já fui a pessoa mais neurótica do mundo e se alguém olhasse demais para mim eu jamais acreditaria que era algo positivo e corria para o espelho e ver o que estava errado.

Há tempos eu tinha vontade de ter cabelos curtos. Comprava perucas para testar, mas sempre caia na dos outros que diziam, “Nossa, você é maluca de cortar um cabelão saudável deste”. Pois cada vez que eu via um corte curto inspirador, parava, lembrava disso e desistia.

Eis que chegou a hora de cortar e eu estava absurdamente ansiosa. Para minimizar o risco de me arrepender, cortei os fios no ombro (aqui). Adorei o resultado e saindo do salão já avisei o Alvim que voltaria em breve para cortar mais. O cabelo cresceu e lá fui eu cortar um chanel curtinho (aqui). Pronto, este foi o “ponto de virada” (saudades do curso de teatro). Pode parecer ridículo dizer que alguns centímetros de cabelo a menos me fizeram amadurecer tanto emocionalmente. Finalmente mais um corte (agora) ainda mais curto e a certeza de que eu realmente mudei, por fora e por dentro.

Os cabelos compridos são escudos femininos perfeitos. No dia que o cabelo está bom, até as roupas vestem melhor. Comigo era assim. A cara não estava legal, sem problemas, era só estar com cabelos impecáveis e pronto. Nada que um mega babyliss não desse jeito. Mas na ausência deles o que fica em voga é sua face, ou encarnando uma real pisciana,….sua alma.

Parece que sem os cabelos escondendo parte do rosto e até do corpo eu fiquei mais livre, mas confiante e mais desinibida (ui!). Ao contrário do que muitas acham, eu me sinto muuuuito mais feminina do que antes. As roupas vestem melhor, as bijoux ficaram mais bonitas e minha única fase de “bad hair day” é quando meu cabelo cresce um pouco e eu fico maluca para cortar de novo ;) Mas obvio que não foram apenas os cabelos, mas o combo cabelo + idade + maturidade.

Quando eu tinha cabelos longos e loiros o assédio na rua era muito maior (coisa que eu odeio absurdamente) e sem parâmetros, sabem ? Como se todos os homens olhassem obrigatoriamente, pois era uma loira de cabelão passando, sem importar o que havia por baixo daquilo. A estúpida e repugnante cultura da mulher objeto. “Ohh loirão”.  Aí que ódio disso. Com os cabelos curtos e escuros o foco mudou. Percebo olhares mais discretos, mais respeitosos e até elegantes (antes que me perguntem, sim, meu marido vai ler este post e não vai achar nada de errado neste comentário), como se cabelos curtos atingissem algo diferente ou até intimidasse mais o sexo oposto. Talvez por ter ficado com uma aparência mais séria, mais segura ou mais diferente, não sei dizer….mas que mudou mudou e é muito engraçado observar isso.

Sabem aquela coisa de evitar decotão + saia curta ? Ou evitar shorts curtinho + salto ? Pois acho que com cabelo é mais ou menos isso. Um cabelão loiro já rouba mais da metade do foco do visual, enquanto um cabelo mais curto te dá espaço para ousar mais no resto. Talvez por isso que muitos dizem que mulheres de cabelos bem curtinhos, bem maquiadas e arrumadas, roubam a cena.

Já a geração mais antiga parece ter uma opinião diferente. Meu vô me deu uma bronca absurda quando cortei os cabelos curtos quando era novinha, já meu pai me viu agora, depois do último corte, e disse que eu estava muito estranha. ahaha. Sinto que outras gerações acabam linakando o cabelo curto à idade adulta, aquela fase que a mulher vira mãe e vai correndo cortar os cabelos. Parece que a juventude vai embora junto com os fios longos. Uma comédia isso.

Agora o que meu marido achou disso tudo ? Ele adorou. Foi dele a ideia de ficar mais loira em uma época, era dele a ideia de sugerir um cabelo ondulado e bagunçado e ele mesmo acabou achando que eu fico melhor com cabelos mais escuros. Na verdade ele sempre fala que adora mudanças. Afinal, 10 anos exigem upgrades para não enjoar né hahaha. A única coisa que ele diz não aprovar é franjinha. Toda vez que comento sobre minha vontade de cortar a franja ele me olha com reprovação. Mas óbvio que o dia que me der esta vontade cortarei assim mesmo e pronto ;).

A vantagem de tudo isso é que cabelo cresce. Hora que eu enjoar e quiser deixar os cabelos crescerem novamente, o farei. Quem sabe assim será uma nova mudança, uma nova fase e uma nova descoberta. Só sei que as vezes a nossa cara precisa de uma configuração nova e basta se conhecer melhor para saber o momento certo para isso.


Sobre o autor

Editora e idealizadora do Makeup Atelier www.cinthiaferreira.com.br

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