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All around me / Pele

“Segunda pele: como o vitiligo afeta a vida emocional da pessoa”

Então gente, depois daquele post onde eu falei sobre doenças da beleza pensei melhor e decidi fazer um post sobre cada “doença” e contar com a Dra Joana para nos intruir um pouquinho mais. Começo com o vitiligo, pois além de receber um relato importante de uma leitora, eu também tenho a doença (poucas lesões). Gostaria de dar meu depoimento e com isso poder ajudar de alguma forma outras leitoras que sofrem com o mesmo problema.

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Há mais ou menos 7 anos apareceu uma mancha branca no meu cotovelo e só fui reparar depois que a mesma chegou a uns 5 cm. Fui na dermatologista, que disse que poderia ser um sinal de vitiligo e me passou uma pomada. Depois de um mês e pouco, apareceu outra área despigmentada no lado do meu olho esquerdo, logo depois nas pontas dos dedos, e algumas pequenas em outras áreas no corpo. Fiquei em pânico, chorei muito e começei a ler tudo a respeito. Por ser uma doença de fundo emocional, concluí que a doença foi resultante problemas pessoais vividos meses antes da primeira lesão.

Fiz o tratamento indicado pela dermatologista por vários meses e as lesões do corpo fecharam completamente. Como a pele do rosto é muito sensível o tratamento é diferenciado e para mim não surtiu muito efeito, portanto até hoje tenho a manchinha. Mas como tenho a pele bem clara, muita gente não percebe.

Para mim foi bem difícil aceitar e quanto mais eu ficava em pânico, mais as manchas aumentavam de um dia para o outro. Foram meses de sofrimento e medo. Quando finalmente percebi isso, tentei ficar mais tranquila em relação ao problema e lembrar que a maquiagem está aí para ajudar quem tem este tipo de problema.Depois de alguns meses além de não aparecerem novas lesões, as minhas ficaram bem menores.

Com o passar dos anos, o vitiligo deu uma estacionada, mas como ultimamente tenho passado por alguns momentos estressantes, vi que apareceram mais 3 manchinhas na testa e com o sol que tomei na viagem (mesmo usando protetor 50) as manchas ficaram bem evidentes e provavelmente terei que voltar na dermato e voltar o tratamento.

Outra coisa que piora o problema é o trauma na região. Na área onde tiro a sobrancelha, buço e machucados nas mão são fatais. Sempre que viajo no frio e fico com a mão ressecada, aparecem manchas rapidamente.

Como tenho pele clara, as lesões ficam bem suaves, mas mesmo depois de ter superado o choque, fico com medinho sempre que aparecem novas lesões. Seguem as fotos das minhas lesões atuais no rosto e na mão.

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Outra mocinha bem conhecida de vocês que tem o mesmo problema é a Anne do www.annemakeup.com.br. E ela escreveu algumas frases sobre a doença…

” Vitiligo não foi somente uma doença difícil de lidar na minha adolescência, só de ouvir a palavra tudo ficava mais complicado. As manchas brancas não coçam, não doem e ao contrário do que muita gente pensa, não são contagiosas.

Mas elas incomodam, e muito: não só ao espelho, mas às pessoas ao redor de quem sofre literalmente na pele com a ausência de melanina. O preconceito é forte e hostil como sempre e só quem passa por isso sabe o quanto os olhares podem ser tão cruéis quanto palavras.

Hoje em dia, nem lembro que tenho vitiligo, graças ao tratamento que fez com que as minhas manchas, a maioria delas localizada no rosto, regredissem, quanto à própria maturidade, que fez com que eu percebesse que não há preocupação no mundo que resolva nossos problemas. Determinação, apoio e muita maquiagem ajudam ;)”

 

Depois do nosso depoimento, ai vai um texto bem interessante que a Dra Joana preparou e com certeza pode ajudar muitas pessoas que sofrem com o problema.

“COMO AS DOENÇAS PSICOSSOMÁTICAS, DE ORIGEM DERMATOLÓGICA, AFETAM A VIDA SUBJETIVA E EMOCIONAL DO SUJEITO?”

“É pela via do olhar que o corpo ganha sua importância”. (Lacan,1975). A escolha de uma citação do psicanalista Jaques Lacan, para iniciar um artigo que pretende elucidar algumas  questões sobre uma doença como o vitiligo, pode parecer curiosa. No entanto, torna-se esclarecedora na medida em que tomamos como ponto de partida o fato de ser esta uma doença dermatológica e tópica. Ou seja, uma patologia cujo sintoma se explicita na pele, nosso órgão mais extenso e, simultaneamente, a superfície e o local onde primeiro se explicita qualquer insatisfação em relação à própria imagem corporal. Soma-se a isso, o fato da pele ser um dos primeiros órgãos sensíveis, um mediador importante na codificação dos primeiros afetos e cuidados que recebemos, em um momento onde somos um caos de sensações corpóreas, muitas vezes assustadoras – conforme se supõe serem as primeiras vivências de um bebê.

A intensidade e a forma como fomos tocados, banhados, envolvidos, segurados e, sobretudo, olhados serão determinantes para sentirmo-nos amados, desamparados, acolhidos ou injetados. A mesma determinação vale para o fato de sermos receptivos ou refratários ao toque, seguros, defendidos ou agressivos. Analogamente, conseguirmos sustentar o olhar ou abaixarmos a cabeça quando notamos alguém a nos perscrutar minuciosamente, pode ter a mesma causalidade que remonta aos primórdios da nossa vida afetiva.

Razão pela qual esse órgão possui um papel fundamental naquilo que chamamos de formação da nossa imagem corporal, bem como daquilo que compreendemos como a constituição da nossa identidade. Como bem apontou outro psicanalista, Didier Anzieu, no início da nossa existência não existiria um sujeito separado de sua pele e sim uma massa amorfa e indiscriminada, descrita por ele como “eu-pele”. A pele é a roupa que envolve e protege nosso corpo, mas não somente, é também um anteparo e uma couraça importante para nos resguardar de uma série de afetos perigosos e intrusivos que, por vezes, podemos não saber como lidar. Tais afetos podem levar o sujeito a atravessar situações traumáticas. Portanto, qualquer incômodo, desajuste ou imperfeição no seu caimento e/ou na sua aparência, levará a um prejuízo para a auto-estima do sujeito.

Do ponto de vista psicológico, essa vivência emocional levará o sujeito a sentir-se estigmatizado, o que, por conseguinte, redundará em um sentimento crescente de vergonha, bem como no desejo de isolamento social. A imagem que temos de nós mesmos é a que supomos ser a avaliação que os outros fazem de nós.

Ao contrário de outras lesões dermatológicas como: psoríase, alopécia, disidrose e alguns tipos de dermatites, – o vitiligo é uma doença que não provoca dor nem coceira, tampouco ardume ou qualquer outro sintoma que possa causar sofrimento físico. Acarreta, entretanto, para a maioria dos pacientes, um enorme sofrimento psíquico. Na clínica, é sintomático, esse sofrimento se explicitar, através de indivíduos infelizes e com dificuldade nos seus relacionamentos interpessoais.

Mesmo fora do âmbito da psicanálise, referencial que escolhemos para abordar essa doença psicossomática, parece haver um consenso no tocante ao vitiligo ser muitas vezes desencadeado e a sua evolução potencializada por uma situação de forte estímulo emocional ou do estresse do dia a dia. Mecanismos biológicos descarregam a tensão no corpo, que se manifesta em um órgão, que sofrerá variações de acordo com as tendências individuais e subjetivas de cada sujeito. Quando o órgão atingido é a pele, pode ocorrer a manifestação de algumas doenças (psoríase, disidrose, vitiligo, dermatite seborreica, dermatite atópica, lúpus e acne), conforme citado acima.

No estado atual dos conhecimentos científicos e das possibilidades de investigação clínicas, não é possível garantir quando as emoções tiveram papel ativo no desencadeamento de uma doença ou não.

Entretanto, fatos circunstanciais relativos à pratica clínica nos levam a acreditar que, efetivamente, em certas situações, estados emocionais específicos tiveram uma estreita relação com a doença.

Finalmente, o vitiligo é uma doença que tem tratamento, ainda que o mesmo seja demorado e exija paciência. No caso da manifestação da doença na fase da infância, é necessário ressaltar a importância dos pais tentarem controlar a sua ansiedade, de modo que esse sentimento não contamine a criança, incitando na mesma, a crença de que sofre uma doença grave. Tal fato só trará dificuldades ao tratamento.

É igualmente importante lembrar que o vitiligo não traz qualquer alteração para a saúde, sendo o distúrbio de ordem estética e o seu prejuízo referente à parte emocional do indivíduo.”

Por: Joana de Vilhena NovaesPsicanalista, Pós-doutora em Psicologia Social; Dra em Psicologia Clínica e Coordenadora do Núcleo de Doenças da Beleza – NDB da PUC-Rio..

Obrigada mais uma vez Dra Joana e Anne. Acredito que quando encontramos mais pessoas com os mesmos problemas, tudo fica mais fácil de aceitar. Eu mesma fiquei mais aliviada depois de ler que a maravilhosa Luiza Brunet também sofre com o vitiligo e nunca deixou de ser linda por isso. E em entrevista ela afirma que antes do photoshop, as maquiagens davam conta do recado.

Força meninas, sei que não é fácil mas vamos usar a medicina, a cosmética e toda a tecnologia do mundo a nosso favor.

Sobre o autor

Editora e idealizadora do Makeup Atelier www.cinthiaferreira.com.br

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