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All around me

“Esta é pra casar” ou… Estereótipos femininos.

estereotipos_femininos

Cada vez que ouço alguém dizendo que não acredita que eu cozinho, limpo a casa, faço um furo na parede ou qualquer coisa do tipo (ouço isso pelos menos 2 vezes por semana), fico indignada de como as pessoas nos julgam pela aparência. “Mas você é uma lady”. Cresci sendo uma pessoa um tanto eclética já que ao mesmo tempo que eu fazia ballet, lutava judô. Imitava as paquitas, mas amava Nirvana.

Minha vó vivia dizendo que eu era “mulher para casar”, pois gostava de cozinhar desde pequenininha, costurava roupinhas de boneca e fazia minhas próprias bijoux.  Já meu avô dizia que se eu continuasse assim não arrumaria marido, uma vez que eu tinha muitos amigos homens, brincava na rua a andava de skate. Minha mãe me ensinava cozinhar, enquanto meu pai me deixava brincar com as ferramentas e apertar os parafusos. Então eu cresci sem ter medo de fazer nada seja por conta do sexo ou nível social.

Sempre quis ser independente e meu sonho de infância era ter uma casa na árvore. Mas eu não queria uma casa cheia de brinquedos e na verdade, nem precisava ser na árvore. Com 9 anos eu dizia para minha mãe que eu queria uma casinha no fundo da casa dela, ou se não fosse possível, queria pelo menos que ela colocasse uma cozinha no meu quarto (lógico que eu nunca tive rs). E não pensem que eu não gostava de ficar com a família, pois sou super ligada a eles até hoje e não sei viver longe.

Aos 19 anos eu me casei “pela primeira vez”, depois de um namoro de 5 anos (fiquei casada com o primeiro marido até os 24, mas este é um assunto para outro dia, ou não, quem sabe). Sim, casei sem estar grávida, por livre e espontânea vontade, de vestido de noiva e papel passado. Então desde os 19 eu me sustento, cuido da minha casa e faço tudo o que for necessário para morar e viver bem.

Amo decoração e já pintei as paredes das minhas próprias casas dezenas de vezes. Odeio ter que depender de homem para alguma coisa e se tiver que por a mão na massa (ou na tinta) eu ponho mesmo. Sou ansiosa e gosto das coisas pra ontem. Sei trocar resistência de chuveiro, rejuntar azulejos, trocar tomadas e usar furadeira.

Já tive faxineiras e já fiquei anos sem ter ninguém. Sou metódica e chata, então prefiro fazer eu mesma do que fazerem errado por mim. Não vou dizer que amo fazer isso não, mas se tem que ser feito, mãos a obra.

Aí quando alguém que não convive comigo direto, me vê em cima do salto e toda emperequetada, me ouve dizer que eu descobri um produto bom para limpar o vidro ou que eu fiz um bolo gigante e mega requintado vira e fala: “Nossa, impossível…duvido que você se suja na cozinha”, “Certeza que ela só tem milhões utensílios de cozinha porque acha fofo, mas não usa nada”, “Aff, nem a pau que você limpa toda sua casa”.

Ao mesmo tempo que as vezes eu sou o homem da casa, eu sou a mais feminina e perua do universo. Amo moda e cosméticos, amo fazer compras, e amo ficar horas e horas me arrumando na frente do espelho. Amo rosinha, mas amo preto, amo uma saia rodada, mas amo uma jaqueta de couro, sei ser elegante, mas falo um monte de gírias e palavrões. Sou fofa com quem é fofo comigo, mas sei brigar com quem quer que seja se me sentir enganada. Quem já me viu brava sabe bem com quem está lidando..rs.

Não é porque eu trabalho igual uma doida, sou uma mulher moderna e ativa, amo me arrumar, que eu não possa entender de tarefas domésticas ou sobre os assuntos mais aleatórios possíveis. Para saber delegar, precisamos entender do trabalho.

Trabalhei muitos anos como designer antes do blog e nunca vi problema algum cuidar da casa, cozinhar ou trocar uma lâmpada. Sempre ganhei meu próprio dinheiro, assim como meu marido, mas nem por isso vou dizer…“Ah, mas eu trabalho fora, não quero saber de outras atividades na vida”. Um dia dá tempo e eu faço um risoto requintado, outro dia não dá, e comemos lanche.

Parece que de uns tempos para cá as “mulheres modernas” se sentem mal em dizer que vão para cozinha e muitas até usam o fato de “não saber ligar o fogão” como um adjetivo. Uma coisa é não gostar de algo, outra coisa é achar que por ser uma executiva é desnecessário fazer alguma coisa do tipo. Isso é tão absurdo como na época que diziam que uma mulher não é boa esposa se não souber lavar, passar e cozinhar ou que o homem é menos homem se souber passar o própria camisa ou dar banho do próprio filho.

Muitos brasileiro foram acostumado com o fato de que se ele ganha mais dinheiro, ele tem que ter “funcionários” para tudo. Tem mensalista, diarista, passadeira, cozinheiro, babá, motorista e assim por diante. Trabalha o quanto pode para ganhar mais. Tem menos tempo, mas tem mais dinheiro para pagar alguém para fazer o que ele não tem tempo. Se aqui é considerado um absurdo ver uma “dondoca” limpando o próprio banheiro, na gringa é a coisa mais comum do mundo ver mulheres ricas limpando suas casas ou colocando seus quadros na parede.

E falando em babá, aí está mais um assunto constante e polemico na minha vida e na vida de muitas amigas que tem a mesma opinião, a maternidade. Não é porque eu estou casada há 10 anos, cuido da casa, amo cozinhar, sou mulherzinha, que preciso obrigatoriamente ser mãe para ser completa. Ainda não senti esta vontade e se um dia eu mudar de ideia e der tempo, legal. Mas jamais terei um filho para provar para alguém que sou mulher suficiente. Você pode ser mulher completa e não saber fritar ovo, outras podem ser mulheres completas, sem ter filhos.

Então não julgue ninguém pela aparência, estilo de vida e nem subestime sua capacidade. Sou uma lady quando eu quero, mas sou um leão se precisar. Não tenho dupla personalidade, tenho uma mente aberta que me permite ignorar esteriótipos e julgamentos feitos por homens e pelas próprias mulheres. Ao mesmo tempo que sei ser independente, não me imagino sem meu marido ao meu lado. Tenho meus poderes, mas sou repleta de fragilidades. Aqui em casa somos iguais e nós dois fazemos o que for necessário para conviver bem. Nós dois “trabalhamos fora”, mas nós dois cozinhamos, cuidamos da nossa casa, somos “pra casar”, para namorar e para viver em harmonia.

Livrem-se dos rótulos impostos pela sociedade. Não seja quem os outros querem que você seja. Ignore o que pensam de você e faça o que te dá prazer. Você não é obrigada a abraçar o mundo e ter zilhões de funções, você é obrigada a tentar ser o mais feliz possível dentro do seu estilo de vida e descobrir o que lhe faz bem. Não sabe fazer, pelo menos tente, não gosta, mas pelo menos experimente, não tem tempo, aprenda balancear as atividades. Não tem coisa mais legal no mundo do que acordar cada dia com uma vontade nova e ver seus malucos projetos realizados.


Sobre o autor

Editora e idealizadora do Makeup Atelier www.cinthiaferreira.com.br

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